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Fitoterapia no Sus - V Fórum Estadual de Plantas Medicinais
ONG luta pela propriedade intelectual indígena
Inaugurado Centro de Biotecnologia da Amazônia
Institutos de pesquisa podem acobertar biopirataria
Estrangeiros registram patentes sobre produtos da Amazônia
CPI deve investigar registro de patentes de produtos da Amazônia
Banco de notícias
Fitoterapia no Sus - V Fórum Estadual de Plantas Medicinais
O Programa Estadual de Plantas Medicinais/PROPLAM, da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, realizou dia 5/10 no Auditório do Escritório Regional do Ministério da Saúde, o V FÓRUM ESTADUAL DE PLANTAS MEDICINAIS, o tema do evento foi "FITOTERAPIA NO SUS". A programação foi projetada para dar visibilidade as potencialidade da fitoterapia e medicamentos fitoterápicos se aplicados aos programas de saúde do SUS.
Inicialmente a Coordenadora do PROPLAM, Elizabeth Michiles, apresentou sob o tema: "Medicamentos Fitoterápicos na Assistência Farmacêutica", espécies medicinais que poderiam substituir, com pesquisa e desenvolvimento, medicamentos sintéticos da rede básica e ainda exemplos de medicamentos fitoterápicos disponíveis no mercado aprovados pela ANVISA.Apresentou ainda a Res.SES/RJ-1590 que estabelece as normas para a prática da Fitoterapia e funcionamento dos Serviços de Fitoterapia.
Seguiu-se-se as palestras do Presidente do IBPM, Alex Botsaris que falou sobre "Fitoterapia aplicada a doenças degenerativas" onde apresentou pesquisa conclusivas sobre espécies medicinais que, se transformada em medicamentos, poderiam ser aproveitadas no tratamento de patologias que acometem pacientes da 3 idade.
Glaucia Saad, professora do curso de fitoterapia e supervisora do ambulatório do IBPM na FIOCRUZ, apresentou "Fitoterapia aplicada a atenção básica" onde ficou evidente a importância do aproveitamento das plantas medicinas como recurso terapêutico, principalmente pelo profissionais do Programa de Atenção Básica e da Saúde da Família.
Ivone Manzeli de Sá, falou sobre "Fitoterapia na Atenção Farmacêutica", quando apresentou a fundamental atuação do farmacêutico na orientação ao paciente quanto a medicação prescrita pelo médico.
Roberto Boorhem, coordenador do Curso de fitoterapia do IBPM, apresentou o tema "Fitoterapia na Saúde da Mulher", quando deixou evidente que na sua experiência clínica, a associação de espécies em formulação magistral, tem apresentado resultados satisfatórios, junto ás suas pacientes na Síndrome do Climatério.
Miguel Mussi, professor do curso de Fitoterapia e supervisor do ambulatório do IBPM na FIOCRUZ,apresentou "Fitoterapia aplicada ao Sistema Imunológico" apontando as espécies medicinais que poderiam ser aproveitadas, se transformadas em medicamentos, no fortalecimento do sistema imunológico dos portadores da AIDS.
No encerramento Elizabeth Michiles, firmou o posicionamento de que a pratica da Fitoterapia no âmbito oficial é estratégia para o fortalecimento, credibilidade e independência do país no que se refere a P & D, de novos medicamentos de matéria prima nacional.
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ONG luta pela propriedade intelectual indígena - 04/06/2004
Local: São Paulo - SP
Fonte: estado.com.br
Link: http://busca.estadao.com.br/divirtase/noticias/2004/jun/04/29.htm
Inbrapi quer mudar a lei dos direitos autorais e ensinar as comunidades a preservar suas tradições.
Descontentes com a forma como a produção indígena pode ser reproduzida ou copiada no mercado cultural, sem necessidade de autorização ou pagamento de direitos autorais, pajés e militantes índios fundaram uma organização não-governamental para defender a propriedade intelectual tradicional - a primeira voltada para o tema. O Instituto Indígena Brasileiro da Propriedade Intelectual (Inbrapi) pretende ensinar as comunidades a preservar seus conhecimentos e tentar uma mudança na lei de direitos autorais.
"A lei reconhece apenas o autor individual, que fez uma obra e tem direitos sobre ela. O que é coletivo é considerado de domínio público. Queremos que a lei reconheça essa produção como sendo de uma comunidade", afirma o filósofo e escritor Daniel Munduruku, presidente da ONG. Ele explica que o conceito de propriedade intelectual engloba danças, músicas, narrativas, grafismos, artesanatos e todo o conhecimento no uso de plantas e ervas transmitido entre as gerações.
"É comum aparecerem pessoas nas aldeias que gravam as músicas, copiam as histórias e depois lançam isso no mercado, ficando com todo o crédito. Indústrias também copiam a extração de um planta e não dizem que veio de um saber tradicional. A idéia não é impedir a divulgação, mas dar aos índios um controle sobre o uso que é feito dela", explica Marcos Terena, conselheiro da entidade e articulador do grupo sobre povos indígenas das Nações Unidas.
Com sedes em São Paulo e Brasília, a ONG já fez palestras em várias aldeias.
Atualmente, organiza um levantamento de tudo o que já foi retirado de comunidades e lançado no mercado.
Outro foco de atuação, explica Munduruku, está na orientação dos novos autores indígenas - jovens que aprenderam a leitura e a escrita e estão começando a registrar mitos e histórias de suas comunidades. "Eles escrevem, mas não sabem fazer contratos, lidar com editoras, com o mercado. Pretendemos fazer essa intermediação para ajudá-los."
Interpretação - O debate é novo na sociedade e não está contemplado na legislação, afirma o advogado do Instituto Socioambiental Raul da Silva Telles do Valle, autor do livro Os Povos Indígenas Frente ao Direito Autoral e de Imagens. Ele defende, porém, que não seria preciso uma mudança na lei, mas a construção de uma doutrina e de estudos alertando para essa questão. "É possível com a lei atual garantir esses direitos, mas essa interpretação nunca foi feita. Toda a jurisprudência é sobre direitos individuais. No caso dos indígenas, trata-se de reconhecer o direito de uma autoria coletiva sem titularidade", diz.
Enquanto isso, em meio ao vazio legal, alguns artistas e pesquisadores desenvolveram por conta própria uma forma de retribuição. A fotógrafa Cláudia Andujar, que desde a década de 70 registra os ianomâmis, faz questão de repassar 50% do que recebe com o material para a comunidade. "Faço por uma questão de respeito." Essa visão é compartilhada pela antropóloga Betty Mindlin, autora de cinco livros sobre mitos indígenas. "Mesmo a lei considerando essas narrativas de domínio público, considero que são propriedade deles."
Simone Iwasso
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Inaugurado Centro de Biotecnologia da Amazônia
Fonte: A Crítica, Manaus - AM - 18/12/2002
Por: Vera Lúcia Pinto
O Centro de Biotecnologia da Amozônia (CBA), um projeto com
custo total de R$ 60 milhões que visa o desenvolvimento de
tecnologias para negócios na área de biodiversidade,
foi oficialmente inaugurado ontem com as pompas da ocasião,
mas só deve estará funcionando a pleno vapor provavelmente
no final do próximo ano. Os investimentos de R$ 18 milhões
realizados até o momento foram destinados para a conclusão
das obras do prédio onde funcionará o CBA e a formação
da equipe de pesquisadores que atuarão na instituição.
A expectativa é que no segundo trimestre de 2003 estejam
concluídos oito laboratórios de suporte às
empresas incubadoras nos diversos setores da biotecnologia. O complexo
do CBA prevê a construção de 26 laboratórios
de pesquisa.
Dos R$ 18 milhões já aplicados, R$ 14 milhões
foram repassados pelo Governo Federal por intermédio da Superintendência
da Zona Franca de Manaus, órgão gestor do projeto,
para serem aplicados nas obras civis do CBA. Os R$ 4 milhões
restantes foram destinados à geração de capital
intelectual com a formação de mestre e doutores pela
Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que ficarão responsáveis
pela produção das pesquisas.
Para o próximo ano, já foram definidos no Orçamento
da Suframa mais R$ 17,6 milhões para a conclusão da
primeira etapa do CBA destinados à aquisição
de equipamentos e contratação de técnicos.
A Suframa espera contar com a participação da iniciativa
privada para a manutenção do projeto.
"O CBA não é um projeto de resultados imediatos,
mas estes virão e confirmarão as expectativas de desenvolvimento
no setor da biodiversidade", disse o superintendente da ZFM,
Ozias Monteiro, durante a solenidade de inauguração
do centro de pesquisa.
O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio (Mdic), Benjamin Sicsu, adiantou
que uma empresa do setor de fármacos já se dispôs
a investir R$ 4,5 milhões a título de contribuição
para pesquisas no CBA na área em que atua. "O mais importante
de tudo é que esse projeto é garante efetivamente
a geração de emprego e renda em toda a região",
observou. Um exemplo, citou o secretário, é a atuação
da rede de coletores de ervas, sementes, essências e outros
insumos que serão utilizados pelas empresas da bioindústria,
distribuídos nos recantos mais distantes da região.
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Institutos de pesquisa podem acobertar biopirataria
Fonte: Agência Câmara
http://www.camara.gov.br/internet/agencia/materias.asp?pk=25402
Por: Christian Morais/AM
A relatora-substituta da Comissão Parlamentar de Inquérito
que investiga o tráfico de animais e plantas silvestres,
deputada Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), considerou "extremamente
graves" as informações levantadas pela comissão
no depoimento do pesquisador Marcus Van Roosmalen, tomado hoje durante
audiência pública na qual respondeu a acusações
de biopirataria.
Funcionário do Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas
(Inpa), onde atua no departamento de Botânica em regime de
dedicação exclusiva, Van Roosmalen responde a um processo
administrativo no órgão, por suas atividades externas
e por ausentar-se do País à revelia, e a outro instalado
pelo Ibama, por transportar macacos sem autorização.
Infiltração
Para Vanessa Graziottin, o depoimento do pesquisador, que é
conhecido internacionalmente, demonstra a existência de um
"braço forte" da biopirataria infiltrado nos institutos
de pesquisa. Ela vê uma "grande rede de ação"
que precisa ser investigada a fundo, a fim de constatar se os pesquisadores
que trabalham no Brasil atuam como coletores de material genético
para centros de pesquisa no exterior. Na visão da deputada,
o pesquisador deixou transparecer que usa o Inpa em proveito próprio,
desenvolvendo pesquisas com primatas, que é sua especialização,
em detrimento da botânica, para a qual foi contratado.
Os resultados beneficiariam outras instituições particulares,
como a sua ONG, a Associação Amazônica de Preservação
das áreas de Biodiversidade (APP). O fato de as pesquisas
científicas de Van Roosmalen serem publicadas em inglês,
no exterior, também reforça essa acusação,
além do fato de o depoente possuir criadouros particulares
de animais, ainda não regularizados.
O presidente da CPI, deputado Luiz Ribeiro (PSDB-RJ), informou que
encaminhará ao Ministério Público uma representação
contra os funcionários do Inpa citados no depoimento. Ribeiro
acrescentou que também representará contra o advogado
Francisco de Lima, na Ordem dos Advogados do Brasil, por ter orientado
Van Roosmalen, seu cliente, a apresentar atestado de saúde
inidôneo para justificar sua recusa a comparecer perante a
CPI. Após três convocações, o pesquisador
foi intimado e acabou conduzido à comissão pela Polícia
Federal.
Inquérito
Durante o inquérito conduzido pela deputada, Van Roosmalen
- holandês naturalizado, que chegou ao Brasil em 1986 - caiu
em contradição várias vezes e revelou indícios
de que teria enviado informações genéticas
sobre a flora e a fauna amazônicas para o exterior.
Nesse aspecto, uma das circunstâncias que pesam contra Van
Roosmalen é o fato de seu filho, que pesquisa genética
molecular nos EUA e desenvolve um estudo com macacos amazônicos,
ter fugido daquele país e encontrar-se sem paradeiro definido
após denúncia da imprensa brasileira de que seria
receptor de material genético brasileiro enviado pelo pai.
Van Roosmalen admitiu ter enviado apenas as fezes dos animais para
o filho.
Ele também reconheceu que, conforme informações
divulgadas no site de sua ONG, cobra entre US$ 10 mil e US$ 1 milhão
dos interessados em nomear novas espécies de macacos descobertas
na Amazônia. Os recursos, segundo o pesquisador, são
revertidos para a própria ONG, da qual ele não receberia
salário nem nenhum benefício pecuniário.
Van Roosmalen negou várias outras acusações
feitas contra ele, como o tráfico ilegal de animais e plantas
e a manutenção de animais silvestres em cativeiro.
Ele alegou que solicitou várias vezes ao Ibama a licença
de captura, coleta e transporte, mas que a expedição
do documento é extremamente demorada. Informou que a legislação
prevê que, caso a licença não seja expedida
em 45 dias, a concessão é automática.
Acrescentou que o centro de conservação de animais
que mantinha em Manaus, conhecido como Parque de Noé, era
mantido por meio de convênio com Ibama. E assegurou que sua
intenção, ao adotar animais selvagens abandonados,
era devolvê-los posteriormente ao meio ambiente quando adultos,
porque "se preocupava" com as apreensões de animais
feitas pelo Ibama, que não teria depósitos adequados
para abrigá-los.
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Estrangeiros registram patentes sobre produtos da Amazônia
Fonte: A Gazeta, Rio Branco - AC - 27/12/2002
http://www.agazeta-acre.com.br/
Por: Ezí Melo
Produtos naturais originários da Amazônia, utilizados
há séculos por seus povos, como o cupuaçu,
a andiroba, a ayahuasca (Santo Daime) e a copaíba, que poderiam
significar grandes fontes de riquezas para o Acre, são patentes
exclusivas de empresas americanas, japonesas, francesas e inglesas.
Somente essas empresas podem utilizar o nome desses produtos e algumas
fórmulas de sua industrialização.
As patentes estão registradas em agências de patentes
japonesas, americanas, francesas, inglesas e da União Européia
e a exclusividade dos direitos de comercialização
abrangem desde os limites de países até toda a Europa
e o mundo inteiro. A detenção das patentes por estrangeiros
impede que organizações e empresas acreanas negociem
os produtos no mercado internacional, causando, assim, um grande
prejuízo aos povos do Acre e da Amazônia.
A gravidade da descoberta pode ser ilustrada com o exemplo do caso
do cupuaçu. A empresa japonesa Asahi Foods Co. Ltd. de Kyoto,
registrou várias patentes sobre a extração
do óleo da semente do cupuaçu e a produção
do chocolate de cupuaçu. A empresa registrou ainda o nome
"cupuaçu" na União Européia e Estados
Unidos, impedindo assim que na área de abrangência
das patentes seja comercializado qualquer produto de outra empresa
que contenha o nome da fruta.
Além do caso da Asahi Foods Co. Ltd., a empresa The Body
Shop International Pic, do Reino Unido, detém em seu país
os direitos sobre qualquer composição cosmética
incluindo extrato de cupuaçu.
ONG acreana descobriu os casos
Os casos das patentes e marcas de produtos da Amazônia por
empresas estrangeiras foram descobertos pela ONG acreana Amazonlink.org.
Na tentativa de estabelecer comercialização de produtos
de cupuaçu do Acre com uma empresa alemã, a ONG descobriu
que a empresa japonesa detém a marca e posteriormente a patente.
A Amazonlink.org foi orientada para que o nome cupuaçu não
aparecesse sobre nenhuma hipótese nos produtos. A partir
daí a organização passou a pesquisar e descobrir
vários outros casos.
O presidente da ONG, Michael Franz Schmidlehner, diz que podem haver
vários outros casos de recursos naturais da Amazônia
que tenham marcas e fórmulas registradas ou paten-teadas
em outros países. Ele ressalta que a ONG continua pesquisando
sobre marcas e patentes. Lembra que em alguns casos existem patentes
no Brasil, mas apenas de alcance nacional. é o caso do cupulate,
registrado pela Embrapa e, há 10 anos, por uma empresa chamada
Chocan.
"O interessante é que a Ashi Foods afirma no registro
da patente para extração do óleo do caroço
do cupuaçu que ninguém nunca utilizou o caroço
para nada e que eles foram os primeiros a descobrir o alto valor
do óleo".
Michael faz questão de ressaltar que grande parte do trabalho
foi feito pelo diretor da organização Jarbas Anute
Costa. Ele frisa ainda que a ONG está buscando parcerias
para forma um grupo de ação, de combate à biopirataria
e de divulgação dos produtos. A Amazonlink.org possui
contatos no exterior com ONGs interessadas no assunto.
Para Michael se for possível provar que os produtos e fórmulas
foram descobertos e são utilizados tradicionalmente por povos
da Amazônia, os registros de marcas e patentes poderão
ser revistos. "Estamos em contato com organizações
para nos ajudar no estudo para reverter esses registros e sobre
qual será o impacto para os povos da Amazônia caso
não se consiga reverter".
Organização defende a Amazônia
Fundada em setembro de 2001, com sede em Rio Branco, a Amazonlink.org
é uma organização não governamental
que defende a Amazônia, seus povos e incentiva o seu desenvolvimento
divulgando as riquezas da região para o mundo e tentando
realizar negócios.
Segundo seus organizadores, a Amazonlink.org quer "superar
fronteiras políticas, culturais, ideológicas e de
língua em prol da colaboração na preservação
da Amazônia e no melhoramento das condições
de vida de seus habitantes".
Entre os objetivos da organização: fornecimento contínuo
de informação através da Internet e outros
meios de comunicação no sentido de conscientizar pessoas
sobre o ecossistema e a realidade social e cultural da Amazônia;
estudo, pesquisa e divulgação das causas dos problemas
ambientais e sociais da Amazônia e das possíveis soluções
visando o desenvolvimento sustentável; promoção
do intercâmbio de tais informações e idéias
entre diferentes culturas e países através de tradução
de línguas; democratização do acesso à
tecnologia de informação e abertura de espaço
para a articulação de organizações ambientalistas
e sociais de base da Amazônia para divulgarem nacionalmente
e internacionalmente seus objetivos.
Os casos de
patentes internacionais:
* Cupuaçu (Theobroma grandiflorum)
Considerada a fruta exótica da Amazônia de maior poten-cial
comercial, o cupuaçu tem hoje uma produção
que não supre as necessidades do mercado. Visto como uma
das fontes de redenção econômica para a região,
já que tanto a semente quanto a sua polpa têm alto
valor comercial, o cupuaçu é hoje patente de várias
empresas internacionais. Atualmente o Amazonas exporta a semente
para o Japão, principalmente para a produção
do cupulate (chocolate de cupuaçu).
De acordo com o site da Amazonlink.org, no Japão o cupulate
já está sendo produzido e comercializado. Somente
no primeiro quadrimestre do ano 2002, o Amazonas exportou 50 toneladas
de sementes de cupuaçu para o Japão. A expectativa
é de que os japoneses comprem aproximadamente 200 toneladas
de sementes de cupuaçu para beneficiamento no ano que vem.
A ONG critica a iniciativa: "Novamente, assumimos, ou pior,
incentivamos o insignificante papel de exportadores de matéria-prima".
Segundo a ONG, o quilo da polpa de cupuaçu é comercializado
atualmente entre dois a quatro dólares.
Em agosto de 1998, no Reino Unido, foi publicada em nome de The
Body Shop International Pic a patente sobre composição
cosmética incluindo extrato de cupuaçu. No Japão,
a Asahi Foods Co. Ltd. registrou em outubro de 2001 a patente para
Gordura do Cupuaçu - método para produzir e uso. Em
dezembro, também no Japão, a mesma empresa conseguiu
a patente sobre "óleo e gordura derivados da semente
do cupuaçu - Theobroma grandiflorum, método para produzi-lo".
A Asahi registou ainda, em julho de 2002, na União Européia,
os direitos sobre "Produção e uso da gordura
da semente do cupuaçu". Também registrou o nome
da fruta como marca registrada na União Européia e
nos EUA.
* Andiroba (Carapa guianensis Aubl.)
Utilizada tradicionalmente pelos povos da Amazônia, a Andiroba
produz um óleo com propriedades de combate a insetos. é
usado pelos indígenas misturado com corante de urucum (Bixa
orellana L.) para repelir insetos, e como medicamento contra parasita
dos pés. A casca é utilizada para o preparo de um
chá contra febre, o qual também serve como vermífugo.
Transformada em pó, trata feridas e é cicatrizante
para afecções da pele. Os caboclos fazem um sabão
medicinal com o óleo bruto, cinza e resíduos da casca
de cacau. Além de ser empregado na fabricação
de sabão, também fornece um ótimo combustível
utilizado para iluminação nas áreas rurais.
O óleo da andiroba também é muito usado na
medicina doméstica para fricção sobre tecidos
inflamados, tumores e distensão muscular. Além disso,
sabe-se ainda que é utilizado como protetor solar e a casca
e a folha servem contra reumatismo, tosse, gripe, pneumonia, depressão.
Atualmente está sendo produzido em larga escala no Brasil
a vela de andiroba, que serve como repelente. Sua utilização
é feita principalmente contra os mosquitos que transmitem
dengue e malária.
A andiroba integra o elenco de plantas medicinais em estudos pela
"Central de Medicamentos" (Ceme) do Brasil. Ela pode ser
utilizada no combate às infecções do trato
respiratório superior, dermatites, lesões dermáticas
secundárias, úlceras, escoriações, e
tem propriedades cicatrizantes e antipiréticas. O óleo
de Andiroba é utilizado em vários produtos para tratamento
de cabelo, deixando o cabelo sedoso e brilhante.
Na indústria farmacêutica homeopática, onde
está sendo comercializado na forma de cápsulas, é
utilizado para diabetes e reumatismo, e o bálsamo para uso
tópico de luxações e na fabricação
de sabonetes medicinais.
A Rocher Yves Biolog Vegetale registrou em setembro de 1999, na
França, Japão, União Européia, Estados
Unidos, a patente sobre a composição cosmética
ou farmacêutica contendo extrato de Andiroba. Em dezembro
do mesmo ano, Morita Masaru conseguiu no Japão a patente
sobre agente repelente para formigas e insetos com utilização
do óleo da fruta de Andiroba.
* Copaíba (Copaifera sp)
A copaíba fornece bálsamo ou óleo de copaíba,
usado mais comumente de forma medicinal como anti-inflamatório
e anticancerígeno. Pelas propriedades químicas e medicinais,
o óleo de copaíba é bastante procurado nos
mercados regional, nacional e internacional.
Considerado o antibiótico da mata, o óleo de copaíba
é muito utilizado pelos povos da Amazônia. Em algumas
regiões o chá da casca é usado como anti-inflamatório.
Em Belém, a garrafada da casca está sendo utilizada
como substituto do óleo de copaíba por conta da dificuldade
crescente de encontrar o óleo. A casca entra na composição
de todos os lambedores ou xaropes para tosse. Nos Andes do Peru,
o óleo de copaíba é utilizado para estrangúria,
sífilis e catarros.
A medicina tradicional no Brasil recomenda hoje o óleo de
copaíba como um agente anti-inflamatório, para tratamento
de caspa, todas tipos de desordens de pele e para úlceras
de estômago. A copaíba também tem propriedades
diuréticas, expectorantes, desinfetantes, e estimulantes,
e vem sendo utilizado nos tratamentos de bronquite, dor de garganta,
anticoncepcional, vermífugo, dermatose e psoríase,
e ainda, como combustível, substituindo a função
do tradicional óleo diesel nas lamparinas. Na indústria,
esse óleo pode ser usado para fabricação de
vernizes, perfumes, farmacêuticos e até para revelar
fotografias.
A empresa Technico-flor S/A obteve na França, em dezembro
de 1993, a publicação do registro de patente sobre
"novas composições cosméticas ou alimentares
incluindo Copaíba". Em junho de 1994 conseguiu o mesmo
registro na WIPO, o que lhe dá domínio mundial sobre
a patente. Nos Estados Unidos a Aveda Corp teve publicado em março
de 1999 o registro da patentes sobre "método de colorir
cabelo ou pestanas com composições com metal contendo
pigmentas e resina de Copaíba".
* Ayahuasca ("cipó da alma")
Desde inúmeras gerações, pajés da Amazônia
ocidental vem utilizando a planta Banisteriopsis caapi para produzir
uma bebida cerimonial chamada "ayahuasca", também
conhecida como "Santo Daime". Os pajés utilizam
a ayahuasca em cerimônias religiosas de cura, para diagnosticar
e tratar doenças, para encontrar com espíritos e adivinhar
o futuro.
O americano Loren Miller obteve em junho 1986, nos Estados Unidos,
uma patente que concede a ele os direitos sobre uma suposta variedade
de B. caapi que havia chamado "Da Vine". Consta na descrição
da patente que a planta foi descoberta num quintal doméstico
na Amazônia. O detentor da patente reivindicou que Da Vine
representava uma nova e distinta variedade de B. caapi, principalmente
por causa da cor da flor.
Em 1994, ao tomar conhecimento da patente, a Coordenadoria das Organizações
Indígenas da Bacia Amazônica (Coica) - uma organização
que representa mais de 400 grupos indígenas - acionou o Centro
para Lei Internacional Ambiental (CIEL), que em seu nome entrou
com um pedido de reexaminação da patente. O CIEL argumentou
que Da Vine não era nem novo nem distinto. Também
que a patente seria contrária aos aspectos públicos
e de moralidade do Ato de Patente por causa da natureza sagrada
de Banisteriopsis caapi na região Amazônica. Foram
apresentadas extensas informações novas pela CIEL,
e em novembro de 1999, o USPTO rejeitou a patente, admitindo que
"Da Vine" não era distinto da planta utilizada
pelos indígenas apresentada por CIEL e, portanto, a patente
nunca deveria ter sido emitida.
O americano recorreu e convenceu o USPTO a inverter sua decisão
e anunciar no início de 2001 que a patente permaneceria válida.
Por causa da data de arquivamento da patente, ela não foi
coberta pelas novas regras de "inter partes reexaminação".
CIEL ficava portanto, impossibilitado de contra-argumentar o detentor
da patente, e a patente continuou em vigor.
* Biribiri (Octotea radioei)
No Canadá, a empresa Biolink, patenteou rupununine, uma substância
extraída das sementes do biribiri (Octotea radioei), planta
da Amazônia. O povo Wapixana de Roraima usa esta substância
como um anticoncepcional. O laboratório Canadense espera
desenvolver um produto para tratamento de tumores e AIDS. Biolink
também quer patentear cumaniol, uma substância extraída
de um veneno feito da mandioca selvagem, usado para pesca na Amazônia.
O novo produto, de acordo com a companhia canadense, pode ser usado
para parar o coração durante cirurgias delicadas.
* Veneno da rã (Epipedobates tricolor)
Os pesquisadores do laboratório Abbot, um dos gigantes no
setor farmacêutico, anunciaram uma nova composição,
feita do veneno achado na pele da rã Amazônica Epipedobates
tricolor. De acordo com os cientistas, esta droga pode ser a primeira
de uma série de analgésicos capazes de substituir
os derivados de ópio. Mas o veneno da rã é
usado tradicionalmente pelos povos indígenas da Amazônia.
Os cientistas pegaram - ilegalmente - 750 rãs da espécie,
sem a permissão necessária. A organização
"Acción Ecologica", do Equador, requer a revogação
da patente.
Amazonlink.org lança site e faz denúncias
Na última sexta-feira a Amazonlink.org lançou seu
site na Internet com várias páginas contendo diversos
assuntos relacionados à Amazônia. Na página
principal do site, a campanha de combate a biopirataria "Limites
éticos acerca de marcas e patentes de recursos biológicos
e conhecimentos tradicionais da Amazônia". Na campanha,
a ONG denuncia os casos das patentes e fala ainda sobre algumas
iniciativas já tomadas no combate à biopirataria e
em defesa dos limites éticos na questão de patentes.
Para ter acesso a todas as informações sobre a campanha
e os endereços das demais páginas da Amazonlink.org
acesse www.amazonlink.org.
Nota da redação:
A Amazonlink.org alerta em seu site que não sabe se, ou até
que grau, o termo biopirataria se aplica para cada um dos detentores
de patentes e marcas por ela mencionados. Porém, diz que
considera questionável a prática de patenteamento
e registro de marcas de plantas tradicionalmente usadas pelas comunidades
da Amazônia. A ONG abre espaço para os detentores destes
direitos a se justificarem em seu site. A Amazonlink.org por sua
vez, não se responsabiliza por quaisquer erros ou omissões
nas informações fornecidas no site.
As informações contidas nesta matéria foram
retiradas do site da Amazonlink.org com expressa autorização.
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CPI
deve investigar registro de patentes de produtos da Amazônia
Fonte: http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=57235
Uma das principais questões da biopirataria na Amazônia
é que empresas e pessoas dos Estados Unidos e outros países
ricos registraram patentes de centenas de produtos tradicionais
e exclusivos da floresta, como a copaíba, o açaí
e até mesmo o poderoso anti-depressivo conhecido como ayahuasca,
um chá feito de duas plantas da região e usado para
fins ritualísticos. Com isto, produtos que podia estar gerando
renda para o desenvolvimento sustentável dos povos da Amazônia
estão proibidos pela legislação internacional
de serem utilizados pelos brasileiros.
Estas denúncias, que vêm repercutindo na imprensa dos
estados amazônicos, devem integrar a pauta da nova Comissão
Parlamentar de Inquérito (CPI) da Biopirataria, da Câmara
dos Deputados, que já está decidida para ser instalada
na legislatura que se inicia amanhã (1). O ex-ministro do
Meio Ambiente e deputado reeleito Sarney Filho, que acaba de
se transferir para o Partido Verde, foi o relator da CPI que atuou
até agora para investigar principalmente o tráfico
de animais e plantas da Amazônia.
As recomendações do deputado, que pode vir a ser o
líder da bancada que o PV elegeu pela primeira vez em vários
estados, são no sentido de se tomarem medidas drásticas
para conter a exploração da flora e da fauna amazônica.
O relatório final reúne as conclusões das três
sub-relatorias da Comissão, que trataram respectivamente
de legislação, controle sobre criadouros de animais
e extração ilegal de madeira. Em pouco mais de dois
meses de trabalho, a Comissão colheu mais de cem depoimentos
em audiências públicas e secretas. Mas, segundo a Agência
Câmara, os deputados entendem que o tempo foi curto para apurar
todas as denúncias e, por isso, decidiram pedir a instalação,
ainda neste ano, de uma nova CPI sobre o assunto.
De acordo com o presidente da Comissão anterior, deputado
Luiz Ribeiro (PSDB-RJ), o comércio ilegal de animais movimenta
aproximadamente R$ 2 bilhões por ano; e a comercialização
ilegal de madeira, outros R$ 4 bilhões. Em seu relatório,
Sarney do PV - como está sendo chamado nos corredores do
Congresso desde o anúncio de seu ingresso no Partido Verde
- propôs a proibição da atividade madeireira
na Mata Atlântica, não admitindo nem mesmo planos de
manejo. A medida tem em vista combater a extração
ilegal de madeira, principalmente do mogno, espécie ameaçada
de extinção.
Sugeriu também maior rigor na fiscalização,
não só na Mata Atlântica, como também
nos outros grandes ecossistemas do País. Segundo ele, existem
quadrilhas organizadas atuando no setor: "Na área do
tráfico de animais silvestres, nós estamos mostrando
o mapa de rotas de tráfico. Vamos pedir à Polícia
Federal que assuma o controle da questão. Isso facilitará
muito a investigação, inclusive porque já temos
os nomes de alguns suspeitos envolvidos no tráfico internacional".
Segundo a deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que atuou como
sub-relatora da Comissão, a falta de tempo prejudicou as
investigações, já que 90% dos requerimentos
de informações da CPI a órgãos oficiais
não foram respondidos. "Por isso, instalaremos uma nova
Comissão sobre o assunto nesta nova legislatura. Precisamos
investigar institutos que, atrás de atividades aparentemente
legais de pesquisa científica, atuam como verdadeiros biopiratas",
afirma a parlamentar.
Para combater o tráfico de animais e plantas silvestres,
a deputada apresentou à CPI as seguintes sugestões:
criação de estrutura de acompanhamento de convênios
de cooperação internacional e de trabalhos realizados
por pesquisadores estrangeiros; implantação de programa
nacional estratégico de registro da etnobiologia, considerando
as diferentes categorias utilizadas pelos povos indígenas;
estabelecimento de um marco legal, nacional e internacional, de
proteção dos conhecimentos tradicionais; e montagem,
pelo Ibama, de um centro de triagem, reabilitação
e reintrodução de animais silvestres confiscados por
órgãos federais e estaduais.
Já o sub-relator Asdrúbal Bentes (PMDB-PA) propôs
a alteração da lei de crimes ambientais para tornar
mais freqüente a aplicação de multas e penas
de recuperação de áreas degradadas. "Eu
acho fundamental que, ao invés da pena privativa de liberdade,
se aplique a pena de recuperação do meio ambiente.
Com isso, não só estaremos recuperando o meio ambiente,
mas também gerando empregos e contribuindo para o meio ecossistema".
Bentes recomendou ainda a aprovação de proposta de
emenda à Constituição para suprimir a expressão
"e à preservação ambiental", do inciso
II do artigo 20 da Constituição Federal. A proposta
torna obrigatório o entendimento entre estados e União
antes que esta, pelo critério discricionário da preservação
ambiental, transforme em bens de seu domínio terras devolutas
que constituem a base territorial indispensável à
estrutura da Federação. (Veja também www.amazonia.org.br,
www.camara.gov.br, www.greenpeace.org.br, www.amazonlink.org e www.agazeta-acre.com.br).
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